<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997</id><updated>2011-04-21T13:52:21.131-04:00</updated><title type='text'>Reinvenção de Alice</title><subtitle type='html'>"e ao tocar a outra, sentiu-se dentro de seu avesso..."</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>47</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-2228047675294800495</id><published>2007-02-27T16:19:00.000-04:00</published><updated>2007-02-27T16:20:22.382-04:00</updated><title type='text'>Quarenta e Sete</title><content type='html'>A Surdez. Clarisse é rodiada de espelhos. Tudo é ver-se em estranhos. Ver-se é estranho. Nada é familiar quando se trata de entranhas. Ver-se em estranhos, ver entranhas, as suas. (A redoma do espelho, criar identidade é ser ver no mundo, seus reflexos, e o que ela sente, é água turva, a que tem começo avesso). Cada linha de sua pele... ela rompe bem. Não pára mais em frente a si. É outro traço.&lt;br /&gt;O que se sente do mundo são nossas entranhas. O que é isso que teima em vibrar? Cala boca teia imbecil! Deixa doer ainda um pouco. Tudo demora a ficar morno. Ver o avesso é vir-a-ser. Ela a mercê de constantes encontros. O avesso é aquilo que não se mostra. Acabaram os segredos. Clarisse está surda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-2228047675294800495?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/2228047675294800495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/2228047675294800495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2007_02_01_archive.html#2228047675294800495' title='Quarenta e Sete'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-847338953893775145</id><published>2007-02-27T16:17:00.000-04:00</published><updated>2007-02-27T16:18:28.964-04:00</updated><title type='text'>Quarenta e seis</title><content type='html'>O óbvio tem de acontecer, afinal esse caos é repetição. Não sei... esgotou-se as possibilidades, o espelho quebrou. O que começou em vento acabou por terminar em água turva. Sem final. Sem uma chance para a porta abrir. Apenas esgotar as possibilidades. Para que Clarisse pereça bela.&lt;br /&gt;Daquelas horas, uns arrastos riscados pelo chão, trincados pela parede. E será que ela pode? Não serão devaneios da febre asmática? É longo e o tempo ficou no chão. Dormir não é descanso. Caminhando num espaço frágil e sem tempo. Para assistir os poemas se repetirem. Desenterrar dores não sentidas, os medos, o choro. Calar os dias. Caminhando. Construir mentiras. Clarisse correu, correu muito num círculo fechado. Era escuro, demorou a ficar zonza. E foi que correr ganhou ritmia densa. Um olho para cada vez. Parecido com o olho de dentro. (Ela podia quebrar a memória, romper os sentidos – paralizá-los) Talvez uma outra quase-morte. Já foram tantas, não que isso pese, mas tem o exagero. Como se houvesse traduções para essa língua. Perde-se a memória dos sentimentos, a não ser que fique escrito. Tortuosos fios elétricos. Ferida vermelha, podre, preciso ver. Ser poemas, ela aprendeu a dançar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-847338953893775145?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/847338953893775145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/847338953893775145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2007_02_01_archive.html#847338953893775145' title='Quarenta e seis'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-5882222847106171740</id><published>2007-02-27T16:04:00.001-04:00</published><updated>2007-02-27T16:05:49.217-04:00</updated><title type='text'>Quarenta e Cinco</title><content type='html'>E cantou sua canção de morte, e cantou em uma voz de pele estrangeira. Por tantos sóis, a cabeça esteve baixa enquadrando os esgotos... procura a sombra, a sombra porra! Era uma rua sem calçadas, ela sentia pés passarem ao lado dos seus, ocorriam encontros entre ombros. Enquadrava algo que a encantava, ao som de gritos, muitos gritos, belos. Ela não entendia nada.&lt;br /&gt;É um tempo que não passa. Nunca passou. Tempo é escolha, um motivo para ficar. Clarisse não espera mais o tempo, ela não tem por quem ficar. E se tivesse não seria livre. Quanto a ser honesta, isso nunca entrou em questão.&lt;br /&gt;Há beleza no meu toque em Clarisse, quando brincávamos juntos, tudo era espera. E o que sobrou da memória? Ficou um dissabor, um azedo na pele murcha. Pensou contar que idade tinha, olhou as mãos, não tinha calos. Ainda esta com quatorze anos. Como aquela canção do moço que morreu triste. Engraçado, hoje se encontra força na tristeza, uma espécie de auto-compaixão, parecida com aquele tempo antes do messias. O que ficou perto permaneceu lembrança.&lt;br /&gt;Uma sombra, seu bocejo. Lembrou-se dos cães, nas noites que se masturbou pensando em seus dentes, na complacência em não amamentar nada e ninguém. Fiel. Seu cio um motivo para inquietar as moscas. Hahahahahahaha.... Dança, rindo alto, plena de segredos. Ela já se mostrou a todos, gritou sua nudez crua, e alguém viu? Deixou-se tocar? Permitiu-se sentir? Hahahahaha... Ah! Clarisse entende seu amor, cria, destrói para o nada! Ela o habita, em cada não, em cada fechar de olhos, em cada multidão sozinha. Ela toca, e tudo vira pedra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-5882222847106171740?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/5882222847106171740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/5882222847106171740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2007_02_01_archive.html#5882222847106171740' title='Quarenta e Cinco'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-114548393330192262</id><published>2006-04-19T17:54:00.000-04:00</published><updated>2006-12-04T16:25:18.113-04:00</updated><title type='text'>Quarenta e Quatro</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ao tocar ela sentiu medo, como as outras vezes. O medo a conservou inteira. E o que era parte, cicatrizou na memória. Pois ao tocar a outra, ela tocou também seu avesso.E ao tocar a outra, sentiu-se dentro de seu avesso. Assim sempre foi. Ao tocar a outra, tudo ganhava sentido cru. Algum sentido. As partes, tão pequenas – pensava ela. Clarisse sabe que é grande, também sabe que viver é uma mentira. Mas como medir o absoluto? De tão grande, seria o mesmo que nada, não cabe em linguagem, em expressão heróica. Dentro d’água pensou em flutuar, com milhares de pessoas ao redor, todas elas, e seus cheiros somente. Muitas fedem, Clarisse não se mexe. A água mexe, mas há um momento, imperceptível aos corações descuidados, em que tudo pára. Sim, é verdade. Clarisse já fez essa experiência por muitas vezes, e é por isso que ela está aqui, hoje, dentro do banheiro. Quando o tudo pára, é para o nada soprar. O nada sopra em silêncio, e os ouvidos de Clarisse estão prontos para quando a surdez chegar. É em seu reflexo, vasto de detalhes, que ela verá o absoluto calar. Nas pernas nota-se os vasos trincarem, é gargalhando que Clarisse pensa no desastre que é a vida humana. Não há tempo, quando se quer controlá-lo.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-114548393330192262?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/114548393330192262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/114548393330192262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2006_04_01_archive.html#114548393330192262' title='Quarenta e Quatro'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-114548361368205575</id><published>2006-04-19T17:52:00.000-04:00</published><updated>2006-04-19T17:53:33.693-04:00</updated><title type='text'>Quarenta e Três</title><content type='html'>É uma merda quando demora pra anoitecer. Merda pior quando demora para se encontrar n’algum lugar. Fazia tanta bagunça dentro de si, quase como o monstro que se refletia sempre que ela se olhava no escuro, naquele espelho que sempre tinha debaixo da cama. Ela não se via muito bem, procurava os olhos, duas bolas pretas, enormes, movimentando-se no branco onde aparecia um pouco de luz da rua. Fixava algum tempo, até ver o monstro. Clarisse conversava com esse monstro sempre que não tinha medo de si. Nas outras vezes, ela sorria amarelo, e dizia pra si mesma que estava com sono.&lt;br /&gt;Ela não tinha aquele espelho, tão pouco era escuro. A tomada ficava do lado de fora, e a poeira dos vidros não permitiam Clarisse distinguir que hora do dia se passava, afinal. Luz sempre havia, tanto à noite como ao dia. Isso irrita qualquer um, não há extrema escuridão e solidão nessa porra de cidade? O ralo se entende bem com isso, Clarisse meteu a fuça bem perto, não cheiro, mas baratas se mexendo. Quase-silêncio... incrível! Escuras, sujas... Clarisse retoma feto e estende a mão às suas irmãs. "Quem tu vês na pele alheia? É mentira que um dia criaste identidade, as putas não criam nada, ouves bem? As putas não criam."&lt;br /&gt;Somos centavos, não dá pra rasgar, limpar o cú... de quando em mais, aspirar pelo nariz e coçar as hemorróidas.&lt;br /&gt;Era pra ausentar o sentido, mas Clarisse é pele só. Foi pra lua, e tocou o silêncio, o absoluto. Pensou que não ia resistir, talvez decompor-se, tornar-se gás. Matar alguém para levar junto ao eterno. Se dissolver inconsciente, não ver, não ouvir, não cheirar, não doer, não rir, não amar, não se dar, não tomar, não ser.&lt;br /&gt;Não ser NADA.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-114548361368205575?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/114548361368205575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/114548361368205575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2006_04_01_archive.html#114548361368205575' title='Quarenta e Três'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-112119284028265314</id><published>2005-07-12T14:26:00.000-04:00</published><updated>2005-07-12T14:28:04.040-04:00</updated><title type='text'>Quarenta e Dois</title><content type='html'>Quando foi mesmo que tudo isso começou? Não mais que alguns séculos... desde que o homem se declarou centro do mundo. Gritaram, mas quem se importa? Os acertos são méritos racionais, os enganos: castigos divinos. Ainda que Clarisse seja livre, suas veias estão manchadas de tanto tentar se renovar.Que sentido faz romper o cordão? De que serviu romper com a memória, romper as verdades do mundo?, Clarisse não consegue romper consigo mesma. Mastiga com nojo a suavidade do ar sujo. Fecha os olhos e vê um lençol manchando o azul, a definhar ao sol. Sempre haverá o peso morto, nada se renova por completo. Talvez seja preciso Clarisse acreditar no que não vê, e aceitar o beijo gélido de seus fantasmas.. mas não foi isso que aconteceu. Seus horizontes não estão mais lá. O mais distante que ela vê são manchas, mesmo que feche os olhos, mesmo que tudo se resuma a nada, o silêncio persiste em manchar a falta de sentido. As lágrimas se cansam de cair, estão machucadas. O corpo se cala na busca de calos. Seus seios recebem um suspiro, não há depois para se pensar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-112119284028265314?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/112119284028265314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/112119284028265314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2005_07_01_archive.html#112119284028265314' title='Quarenta e Dois'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-112119272224349651</id><published>2005-07-12T14:24:00.000-04:00</published><updated>2005-07-12T14:26:34.746-04:00</updated><title type='text'>Quarenta e Um</title><content type='html'>Sua cicatriz começa a doer. Clarisse na noite que passou, havia sonhado com sua mãe. Já não era a primeira vez que tinha o mesmo sonho. Sua mãe era outra, era sua irmã, só que falava, e tinha outros dois filhos mais novos. "Será que vai romper novamente?". Sempre que sonhava isso, acordava com um vazio desconfortável (coisa rara em Clarisse, seus vazios são saborosos). Ela amanhecia com o olhar cúmplice. Nota com certa admiração os traços maternos que vem tomando conta de seu rosto. Não há rugas, mas as sente por debaixo da pele. Clarisse herdou o cansaço. O pai não se lembra, acha que ainda é vivo, mas não se importa em saber. Está sangrando. O que fazer quando a ferida torna a abrir? Até calos já tinham se criado. O sangue não era o mesmo, a dor não era a mesma. Um pequeno risco. Chegara a pior parte, o desconforto da solidão. As violetas são jogadas roxas contra a parede. Um susto. Não há mais cicatriz para acariciar, ela sumiu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-112119272224349651?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/112119272224349651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/112119272224349651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2005_07_01_archive.html#112119272224349651' title='Quarenta e Um'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-111826488335033299</id><published>2005-06-08T17:07:00.000-04:00</published><updated>2005-06-08T17:10:28.403-04:00</updated><title type='text'>Quarenta</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"Alice esperava, aflita, o próximo tombo." Ela e o espelho-mundo são paralelos. As frases se entre cruzam. O reflexo é fotografia canhota. Se o reflexo é canhoto, Clarisse é destra. Direita, correta. Blábláblá... mentiras. Não há dualismos, nem verdades. Clarisse e o espelho-mundo existem (ponto). O que importa saber o que ou quem ela é? O fato é ato, e ela é. (Lálálá... everyone is something) Mas o ser perdeu a beleza, e sem beleza Clarisse não goza. Assim sendo, ela mutila-se, destrõe a fonte dos reflexos... não o espelho, mas ela-mundo. Destruir-construir, não hoje... somente destruir. Cansar e ferir o que pode ver. O sangue tem dor violeta, e logo quando adormece no chão, é cinza. Qual é o aborto dessa vez? Qual monstro morrerá? O bom-que-sofre ou o mau-que-goza? Clarisse não vai escolher, nem tão menos criar. Sua arte está morta. O coração bate, Clarisse dança, invoca o nada, a cegueira, a surdez, a dormência. A saliva escapa para raptar gostos secos. Clarisse encosta os lábios no ralo imundo da pia, grita. Grita para os restos gozarem a dor. Grita alongando sua língua em beijo lúgubre. Não importa os espelhos do mundo, ela renegou sua imagem.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-111826488335033299?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/111826488335033299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/111826488335033299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2005_06_01_archive.html#111826488335033299' title='Quarenta'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-111826474746357475</id><published>2005-06-08T17:04:00.000-04:00</published><updated>2005-06-08T17:05:47.463-04:00</updated><title type='text'>Trinta e Nove</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"E se for assim? Esse cubo não é mágico." Ouviu dizer que o fim está próximo, não se lembra exatamente quem disse, mas alguém o disse. Talvez tenha sido algum crente querendo seu arrependimento. Quem além de mim já amou Clarisse? É nocivo, muito nocivo compreender o vazio. E ela simplesmente o toma no colo, e brinca com ele. O que mais invejo em Clarisse é que ela tem 14 anos, e não cria calos no espírito. Aquele limo, a luz anêmica, o cheiro do mofo, as violetas que fracassam na sua ressurreição... todo esse cubo é Clarisse. Ela não ousa abrir a porta, pois permanecerá frio e cinza. Ela é aquela estátua sem cabeça que recepciona obscuridade no hall de entrada, onde, por certo, a luz deveria entrar, mas não entra. Clarisse não tem olhos pra ver a luz. Clarisse está nua. As veias transparecem. É utópico pra mim se suportar sozinho. O que não tem seu reflexo no mundo? O quê? Ela furaria os olhos para não se ver mais nas coisas, não ver sua dor, não excitar-se da sua fealdade. E de que serve? Todos olhos porosos teriam, também, que ser furados. Mas poros são buracos. E buracos negros não se fecham, apenas engolem.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-111826474746357475?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/111826474746357475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/111826474746357475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2005_06_01_archive.html#111826474746357475' title='Trinta e Nove'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-111826461487522462</id><published>2005-06-08T16:59:00.000-04:00</published><updated>2005-06-08T17:03:34.880-04:00</updated><title type='text'>Trinta e Oito</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Houve um tempo em que Clarisse acreditava em significados. Perdia horas procurando pelo que não havia perdido. O que dizer sobre as cinzas? O que em Clarisse não é assim, até mesmo seu sangue, quando fora de si, toma tons de concreto.  Se suas olheiras não fossem tão negras, se pintaria de carvão. O que o corpo vai fazendo com tudo aquilo que não o compõe? O que falta para as cinzas se tornarem puras? A cegueira. Se o universo não fosse tão pequeno - uma vez disse Clarisse - ela beberia todo leite que desenha o caminho da galáxia. Poucas vezes Clarisse acolheu um respirar suave ao seu lado. Não há motivos, por que a curiosidade com a vida? Era somente um espelho, era ela tentando ver-se de perfil, depois suas costas. Clarisse corria para longe... até cansar e dar-se por conta que o objetivo nunca possui signo pra ela. O universo não cabe em seu vazio, nenhuma porra sacia, pois o tudo são restos, o tudo está em pedaços - pequenos pro buraco de Clarisse. Nunca poderá engolir o tudo... nunca. Medíocre - "não serei comida por pedaços...". Clarisse cospe o dedo pra fora da boca. Queria morrer, mas para todo lugar onde mira, há reflexos dela. Será que está condenada a se ver no mundo? Mas se assim fosse, o que ela veria, se se considera nada. Clarisse é recorte. Não absoluto.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-111826461487522462?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/111826461487522462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/111826461487522462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2005_06_01_archive.html#111826461487522462' title='Trinta e Oito'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-110960298485564707</id><published>2005-02-28T11:02:00.000-04:00</published><updated>2005-02-28T11:15:20.046-04:00</updated><title type='text'>Trinta e Sete</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"Bom dia menina de olhar cansado!". Com a mão longe de seus olhos escala sua coluna. As digitais pintam bigodes felinos nas costelas destacadas no relevo de campos vastos e improdutíveis. Improdutíveis e solitários. Grandes de mar salgado, longes do persistir. As costas desistem facilmente, esquecem da pele-manto que as protege. As unhas sujas, a concentração de inspecionar o que não está. Sim, ela sempre procura pelo que não está, não é. Depois de certa sobre isso relaxa e respira aliviada. Consegue até sentir o cheiro cansado de todos buracos, que espreitam sua queda eterna. Pode até ser que nada esteja nela, mas é impossível provar que nada esteja com ela. Que tormento... Ao menos se furasse os olhos. Clarisse nasceu para ter limites, e ela sempre preferiu não ter nenhum.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-110960298485564707?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/110960298485564707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/110960298485564707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2005_02_01_archive.html#110960298485564707' title='Trinta e Sete'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-110960288540677431</id><published>2005-02-28T11:01:00.000-04:00</published><updated>2005-02-28T11:01:25.406-04:00</updated><title type='text'>Trinta e Seis</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Esperou, esperou, até que decidiu por ela mesma se invadir. Juntou dois dedos, e penetrou no seu cu. Sentiu os seios enrijecendo, e apalpou o excremento macio que se alojava quente. Pensou em tudo que compunha o resto, e do quão derme era aquele momento. Ela só queria tocar e ser tocada. O anel tencionava e relaxava, Clarisse, como qualquer ser, é impotente diante ao movimento. Seu corpo reinventava ritmos, tudo soava como uma complexa música de sentimento simples. Ela oscilava entre o sentir e se sentir... dançava licenciosamente. Juro que me excito em presenciar isso, as respostas estão tão claras e Clarisse teme despertá-las do seu sono casto. Já que és impotente para compreender, ela prefere não saber, e contemplar a beleza da respiração de todos segredos guardados.Até quando? Eu não sei, mas sei que não é esse o momento. Pesar o sentir é privar-se dele. É claro que ela morrerá, e tudo perderá o sentido, mas o que importa? Ela é bela, acima da dor e do prazer. Ela se sustenta no espelho, e só cabe a mim quebrá-lo.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-110960288540677431?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/110960288540677431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/110960288540677431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2005_02_01_archive.html#110960288540677431' title='Trinta e Seis'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-110960283519349877</id><published>2005-02-28T10:58:00.000-04:00</published><updated>2005-02-28T11:00:35.193-04:00</updated><title type='text'>Trinta e Cinco</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Por um instante, Clarisse pára e nota sua beleza. Permite-se olhar sem censura e curiosidade. Apenas sente seu estar. O chá salgado não serve mais para amenizar a dor. Tudo é, e a composição desse momento magnífico de amor de Clarisse com ela mesma, só cabe à moldura do espelho. Ela se vê, sente quão impotência existe no compreender. Não se compreende nada, o egoísmo só nos provém para moldarmos coisas aos nossos sentidos. Quem é essa menina, mulher, coisa? Nem arrogante, nem fraca, Clarisse é estanque. Abriu os poros, e espera por algo que virá para invadi-la. E ela apenas gozará, sem pesar, sem querer se importar. Clarisse tem medo da solidão, mas agora ela quer estar e saber ser sozinha. A morte já marcou hora, ela quebrou o relógio e seu tempo.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-110960283519349877?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/110960283519349877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/110960283519349877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2005_02_01_archive.html#110960283519349877' title='Trinta e Cinco'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-110599271734940023</id><published>2005-01-17T16:10:00.000-04:00</published><updated>2005-01-17T16:11:57.350-04:00</updated><title type='text'>Trinta e Quatro</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Muitos psicólogos dizem que todo ser humano procura preservar a própria vida, renegar a idéia de uma morte cruel e além de tudo isso, convivendo com o medo e o desejo, procurar a felicidade. O instinto de preservação de Clarisse nunca foi muito aguçado, por ter sentido (e abrigado) a solidão por muito tempo na sua infância, ela acreditava não causar mal nenhum ao mundo. Sentia como se fosse apenas ela, o tudo e o nada. Enquanto viva ela seria o tudo, e morta o nada. Ainda confusa com a resposta do seu reflexo, Clarisse imaginava como seria o casamento do tudo e do nada. Seria isso possível? De todos antagonismos trágicos que Clarisse já leu na vida, ela sempre preferiu o final onde o impossível encontrava descanso na morte. E o impossível descansa? Ela não sabe, e agora dúvida de tudo, até mesmo do seu cansaço. Com as lágrimas secando pelo corpo, Clarisse sorri inocente para a luz anêmica que ainda grita. Clarisse é par antagônica de si mesmo. Ela descobriu a mentira que faltava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-110599271734940023?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/110599271734940023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/110599271734940023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2005_01_01_archive.html#110599271734940023' title='Trinta e Quatro'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-110599253586603007</id><published>2005-01-17T16:07:00.000-04:00</published><updated>2005-01-17T16:08:55.866-04:00</updated><title type='text'>Trinta e Três</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ela que pensava conhecer tão bem seu amor pelo nada, notou que nunca o teve. Sempre tomada pelo tudo, por certezas, memória e esperança. Como ela, o algo, poderia amar o nada, e ainda, querer ser amada? Afinal o que ela possuía? E quem a possuía? Quando contemplava, ela era o nada, Clarisse se amava de forma tão narcisista e egoísta que sempre esteve submersa na falta de sentido. Que menina boba, nunca percebeu que o amor da sua vida é seu próprio reflexo. Hoje ela se terá, tocará o nada, beijará seu avesso. A decisão já foi tomada, Clarisse fita os olhos no espelho e pergunta ao reflexo: "Quem sou eu em você?". Passado alguns piscares de olhos, o reflexo lhe responde: "eu sou o nada do tudo que és mim, prestes a não ser, prestes a ter sido." Clarisse entende a resposta, e chora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-110599253586603007?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/110599253586603007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/110599253586603007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2005_01_01_archive.html#110599253586603007' title='Trinta e Três'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-110296720974196676</id><published>2004-12-13T15:46:00.000-04:00</published><updated>2004-12-13T15:46:49.740-04:00</updated><title type='text'>Trinta e Dois</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"O melhor que eu puder". Os sons perderam o significado sujo. "Mas o melhor nunca é suficiente". Os superlativos nunca se bastam, inclusive o pior. Apenas quando se está só, se pode ser superlativo. Só, se é o que se quer. Inclusive assassino. Nada mais assusta, Clarisse sente frio, não na pele, mas em alguma parte dentro dela, não sabe se são seus nervos que tremem, ou alguma parte da região do tórax. Seu planeta começa perder a órbita, cai sem desvio, e apenas aguarda o momento em que irá se chocar com algum objeto não identificado (por ela). Longe de querer pensar em adjetivos, Clarisse apenas existe, nada mais. Ela chega no lugar onde sempre quis estar (e sempre esteve), no vazio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-110296720974196676?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/110296720974196676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/110296720974196676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_12_01_archive.html#110296720974196676' title='Trinta e Dois'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-110296716887856997</id><published>2004-12-13T15:44:00.000-04:00</published><updated>2004-12-13T15:46:08.876-04:00</updated><title type='text'>Trinta e Um</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Nunca entendeu direito de onde provém a luz, qual sua composição e sua fórmula. Energia. Seus seios começam a aumentar, o corpo se prepara para envenenar um novo ser. Mas pouco importa, o presente não é de fato, lembranças são construções de imagens. Em cada estrela falecida, o mesmo desejo implorado em tanta outras vezes. Na dor sentia-se viva, pois sentia-se profundamente, conhecia cada canto obscurecido. Clarisse foca o olhar para o centro de tudo, e vê apenas um ponto. O movimento transformara-se numa lentidão absurda, quase estática. Ela formou um eixo inclinado, e girou. O sistema que a compunha recriava o tempo. Girando, girando, sentia fora de si, apenas o vento. A dor se tornou unicamente física, ela já conseguia sorrir, e verdadeiramente. Mas toda euforia quando longa demais provoca náuseas. Vomitando monstros, Clarisse se anula ao chão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-110296716887856997?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/110296716887856997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/110296716887856997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_12_01_archive.html#110296716887856997' title='Trinta e Um'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-109994009918773327</id><published>2004-11-08T14:53:00.000-04:00</published><updated>2004-11-08T14:54:59.186-04:00</updated><title type='text'>Trinta</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;São dez horas da manhã. Como interpretar o seu amor? Interpretar é buscar sentido. Sim, isso é obvio, mas essencialmente importante. Clarisse não busca, ela gera tudo que se enraíza dentro. Uma violeta que parecia morta reabre. Havia uma música que Clarisse fez quando menina. Às vezes cantarolava, e resistia ao presente. Sonho bom, estar só e perceber que tudo perdeu sentido. Carme carmim. Tenta entender do motivo à rejeição. Mas o que são defeitos? É como se olhar ao espelho, aquilo que nos falta são os defeitos. Então tudo aquilo que repugnamos, é na verdade nossa carência. Admirar é se entregar. Há medo vendando a percepção do que pode ser belo. A sujeira é tão universal, e própria de cada um, mas há fealdade moral afastando a realidade. Os olhos são amigos ao amanhecer por possuir o brilho da entrega ao mistério do sono. A água apaga progressivamente esse brilho, juntamente com o peso do acordar para verdades embaladas. Deitada no chão lúcido, Clarisse voa para onde há apenas som e imagem. Sem dor, sem prazer. Aqui começa sua vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-109994009918773327?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/109994009918773327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/109994009918773327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_11_01_archive.html#109994009918773327' title='Trinta'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-109993999647142501</id><published>2004-11-08T14:49:00.000-04:00</published><updated>2004-11-08T14:53:16.473-04:00</updated><title type='text'>Vinte e Nove</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Seu lábio inferior expele um líquido doce. É seu sangue, entre seus dentes há carne crua. Antropófaga. Se tivesse oportunidades comeria mais do mundo. Vivo e quente. Seu ser lhe provoca enjôo, por mais que seja uma minúscula fatia de seu lábio. Tem a boca encarnada como na noite em que deu pela primeira vez à um homem. Sem dor, sem máscaras. Sem coisa alguma, ainda suja.&lt;br /&gt;Pensava melhor sobre o silêncio. Em cima dele, imaginava trepando com um fantasma. Dançou com leveza, toca o ar carregado de não-visão. Não ver não é presença de nada, não ver é impotência. Com lágrimas e embalo, Clarisse se deixa pesar dormência. As horas dormem e seu coração tem compasso 70. Para soluços, tranque a respiração. E ao se ver outra, Clarisse compreendeu o avesso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-109993999647142501?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/109993999647142501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/109993999647142501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_11_01_archive.html#109993999647142501' title='Vinte e Nove'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-109692500241882467</id><published>2004-10-04T17:22:00.000-04:00</published><updated>2004-10-07T13:00:33.570-04:00</updated><title type='text'>Vinte e Oito</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A mentira do dia foi escolhida. O amor. Clarisse houve os conselhos do espelho, Alice grita "anule-se". Igual perante o mundo, Clarisse é zero. Zero, constante, nulo, nada. Sem peso e significado. Ela quer coçar seu joelho, e coça. Clarisse se pertence. Presa em si mesmo, ela sente-se livre. Eu a entenderia perfeitamente, mas eu não sou livre. Dentro da sua mente um virgem canta. Oferece-lhe os lábios rosados, expõe seu peito nu. Clarisse o mata.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-109692500241882467?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/109692500241882467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/109692500241882467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_10_01_archive.html#109692500241882467' title='Vinte e Oito'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-109692482935412735</id><published>2004-10-04T17:17:00.000-04:00</published><updated>2004-10-07T12:59:57.566-04:00</updated><title type='text'>Vinte e Sete</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"Vamos Clarisse, ainda há sacrifícios a oferecer!" Não sei ao certo se é o ar, ou a estrela de quatro pontas que desenha o ralo, que a provoca náuseas. Cospe, cospe, e agora tem sede. Ela vai morrer. Já sabe disso, desde que nasceu. Hoje ela tem medo dessa verdade, e não consegue mentir. Tantas mentiras para se acreditar, porque foi logo escolher o nada. Ao menos escolhesse acreditar na felicidade, talvez seria um bom começo. A aranha segue caminhando pelas suas costas, beijando seus poros. Deseja amar esse ser, mas Clarisse é tão frágil quanto ela, e precisa tanto desse carinho, ela se masturba e oferece sua porra à sua amante, a qual bebe e despede-se.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-109692482935412735?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/109692482935412735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/109692482935412735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_10_01_archive.html#109692482935412735' title='Vinte e Sete'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-109692456406281077</id><published>2004-10-04T17:14:00.000-04:00</published><updated>2004-10-07T12:56:22.486-04:00</updated><title type='text'>Vinte e Seis</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Se fosses Deus, quem matarias? Um bom que sofre, ou um mal que goza? O egoísmo é covarde, luxuoso e impotente. O primeiro tiro seria na boca, para calar tanta estupidez. Clarisse sempre quis ter uma banheira, igual a da sua vó. Só não roubou por não ter onde esconder (o velho problema das coisas grandes). Quando menina adorava ficar horas de molho na frágil banheira, vendo as aranhas caminharem pelo seu corpo branco, ainda sem manchas. Ela é quem? O bom que sofre, ou o mal que goza? Havia árvores se escondendo atrás da janela, gostava das manchas as quais o sol cobria suas pernas. Uma vez a aranha a envolveu na teia e penetrou sua vagina. Nunca soube se isso era o certo, a menina apenas gozava. O sol cobre, mas sabe-se que por debaixo da pele não há luz. Existiam milhares de cascas envolvendo Clarisse. Talvez sua polpa nunca corresse o risco de escurecer, pois ela já é negra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-109692456406281077?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/109692456406281077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/109692456406281077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_10_01_archive.html#109692456406281077' title='Vinte e Seis'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-109692438865961303</id><published>2004-10-04T17:11:00.000-04:00</published><updated>2004-10-07T12:55:44.706-04:00</updated><title type='text'>Vinte e Cinco</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Assim aprendo. Clarisse nunca ajudou. Nunca lhe pediram ajuda. Sua opinião nunca contou verdadeiramente. Silêncio da luz. A dor longe, além do cinismo e da arrogância. Há poder contra isso? Há ignorância, talvez ainda a estupidez. Mediocridade. Bom seria estar no colo do nada, de onde tudo surge. Os heróis confortam apenas o pânico alheio. Às vezes são imagens que se formam, Clarisse nota a velocidade quando o tempo está contra ela. Ventocidade. Somente contra o vento ela desliza. À favor, o tempo prolonga. As curvas e o rastro das árvores. Contemplação. Sim, ela está certa, são imagens, e do outro lado. Quantos lados são refletidos? Clarisse é reflexo. Sim, sim, ela é o espelho. O que fazer agora com a liberdade dessa informação?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-109692438865961303?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/109692438865961303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/109692438865961303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_10_01_archive.html#109692438865961303' title='Vinte e Cinco'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-109112894086164796</id><published>2004-07-29T15:21:00.000-04:00</published><updated>2004-07-29T15:22:20.863-04:00</updated><title type='text'>Vinte e Quatro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Um tesouro num fundo falso no assoalho da casa de sua avó. Uma de suas primas se revolta com a infância pobre que passou e pelo irmão que esteve doente e ficou paraplégico. Tanta riqueza vale a cura de males e a busca de conforto? A prima berra, chamando-a de mesquinha. A avó paralisada, esconde garfos de prata no cós da saia. Clarisse pensa pela sua vó, pensa no que é justo. É mais um sonho. Há mundos através do espelho? Por que a avó nunca disse nada sobre o tesouro? Os perversos sempre mereceram proteção e honrarias, para Clarisse. A gosma salivar seca no meio do espelho. Clarisse sempre acreditou que o universo paralelo ao reflexo, fosse oposto ao que ela vive. Haveriam duas Clarisses, quer dizer, uma Clarisse e um Essiralc. E se realmente tudo não passar de um reflexo sujo? Acreditava que Essiralc levaria um vida repetitiva, igual a dela, somente com o significado oposto. Afinal, para que no mundo serviriam duas pessoas idolatrarem o nada? Essiralc, ao contrário da tristeza infinita com que Clarisse encara a vida, aceitaria a dor como um presente. Segundo a matemática, o oposto do positivo é o negativo, no caso de uma parábola com o arco voltado para baixo, o seu oposto seria o arco voltado para cima. Arco voltado para cima era Essiralc, que sorria a cada choro de Clarisse. O grito é nulo, e ambos gritam. E quem é reflexo? Clarisse saliva lembrando do gosto de comer usando talheres de prata. Haviam muitas cobertas em seu sonho. Cobertas cheirando a gozo velho. Lá fora chovia. Um pedaço de limo cai do forro sobre seu colo. Eu procuro saber o que sustenta Clarisse. Seu ar de santa satânica me indica para sua fé, mas Clarisse acolhe espelhos dentro dela, e isso constrói labirintos que afugentam respostas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-109112894086164796?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/109112894086164796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/109112894086164796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_07_01_archive.html#109112894086164796' title='Vinte e Quatro'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-109112889454007935</id><published>2004-07-29T15:20:00.000-04:00</published><updated>2004-07-29T15:21:34.540-04:00</updated><title type='text'>Vinte e Três</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;As cores são jogos de luz. As cores formam imagens, tornam a vida alegre e sombria. As cores despertam sensações e curam doenças. As cores são jogos de luz, jogos são ilusões. Perceber é uma mentira. Doce e dolorosa mentira. Um bom emprego, um bom companheiro, uma boa amiga, um bom par de pernas, Clarisse tem todos os materiais para a vida feliz. Destruir é rápido. Ruínas são o nada? Ainda haverão herdeiros depois de tudo acabado. O podre irá persistir, e o divino abençoará a dor com poesia. Clarisse é devorada entre suas pernas, o vento suga o caldo mucoso e salgado. Nas asas do sopro frio, germes serão espalhados, e sucumbidos pela goela da mãe terra, que os abrigará. Somente a terra abriga os restos. No fim, só a terra nos ama podres. Justificar-se é buscar fé em si mesmo. Admitir o desejo de ser comida é a forma de louvor à fraqueza, feita por ela. Quais intenções não são puras e putas?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-109112889454007935?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/109112889454007935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/109112889454007935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_07_01_archive.html#109112889454007935' title='Vinte e Três'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-109112884383085627</id><published>2004-07-29T15:19:00.000-04:00</published><updated>2004-07-29T15:20:43.830-04:00</updated><title type='text'>Vinte e Dois</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Uma escritora vulgar, escreveu num desses papéis que se perdem, que o sono é desculpa do vazio que cansa. Quando não há mais lágrimas, nem mais desespero, dorme-se, acreditando que o nascer do sol nos trará o supremo bem junto com seus primeiros raios. Acredita-se tanto no poder do novo dia, talvez por ser novo, talvez por a esperança ser o único voto ainda existente com relação à felicidade. Os dias nascem nublados, e o nada persiste. Há vazio no tudo para se fazer. Eu queria tanto que Clarisse se permitisse, gostaria tanto de saber para o quê, ela deve se permitir. Bom-dias, boa-noites, sinto-muitos, por-favores, e toda a maldita linguagem, tudo isso cansa, e isso é tomado por vazio. Em que dias, em que mundos é possível dizer sim e não para os Sins e Nãos vazios? Por onde se começa limpar, pelo mais sujo, ou tirando o pó da superfície sem deixar de olhar o céu? Clarisse inventa mundos para si, confesso que a invejo, tão cria de si mesma. Tão frágil e seca, encontrou o prazer em suas mãos. O verdadeiro está cego, e ela ri ao lembrar disso. Nem todo dia se chora, mas os pulsos sangram à cada fuga, à cada "depois-penso-nisso". E não se pensa, não se dorme. E a morte chega, e se descobre que nunca se foi livre. É sempre noite nos olhos semi-abertos de Clarisse. Ela se suporta, sabe que seu reflexo é uma imagem torta, é mais um risco abstrato procurando interpretação. Há poesia, há objetivismo, há pobreza, há compaixão, há cuspe escorrendo pelo espelho, há auto-mutilação, há cansaço.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-109112884383085627?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/109112884383085627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/109112884383085627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_07_01_archive.html#109112884383085627' title='Vinte e Dois'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-109112876402961898</id><published>2004-07-29T15:17:00.000-04:00</published><updated>2004-07-29T15:19:24.030-04:00</updated><title type='text'>Vinte e Um</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Uma idéia brilhante, viver cansa. Clarisse quer matar sonhos. Ela tem medo, falta-lhe vontade. Triste. Nasceu numa cidade de nome alegre. Ela morre todo dia. Perdendo a castidade. A luz azul transforma o amarelo em ouro. No escuro se tem traços fiéis do toque. Eu toco Clarisse que corre para não sei onde e grita doce à dor. Chato (piolhos vermes) existir. E persiste, sem ajuda. Ela chora, foge dos reflexos e das horas e das luzes. A luz mente. Luz demais também cega. Eu sou estúpida ou Clarice realmente cospe no mundo? Amanhã é quase hoje. O nada importa, nada mais importa, importa. Lágrimas lambem as costas da mão direita. O sono jaz sobre seu corpo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-109112876402961898?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/109112876402961898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/109112876402961898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_07_01_archive.html#109112876402961898' title='Vinte e Um'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-108827611560859953</id><published>2004-06-26T14:54:00.000-04:00</published><updated>2004-06-26T14:55:15.606-04:00</updated><title type='text'>Vinte</title><content type='html'>É segunda-feira, só disso se lembra. O que nesse mundo faz sentido? Ela tem o peso do mundo. Eu também o tenho. Por isso olho Clarisse, e a sinto, e a amo. E isso importa? Clarisse vive num mundo onde mal percebe, mas que é preenchido pelo vazio. Será ela, cria do nada? Ou ela nada criou? Do nada deus gerou o universo. Clarice quer do universo gerar o nada. O contrário de deus é Mefisto, ou ignorância da sua existência? Destruir é rápido. Clarice nunca viu o mar, o campo, o verde, o anil, pontos pratas no escuro. Sempre viu melhor de olhos fechados. Saberia entender logicamente o cotidiano, se tudo fosse simétrico. A pobreza é subjetiva. Terá ouvido a chuva? A umidade demora a baixar. Todo ar é denso. As unhas dos pés estão cumpridas e sujas, seu dedo mínimo do pé esquerdo está com frieira. Cobre-se do frio com a toalha úmida. Se soubesse da sua beleza não seria tão magnífica. Retrato perfeito da contemporaneidade. Seus olhos vermelhos quase sangram, a cabeça acolhe-se no colo dos seus próprios joelhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-108827611560859953?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108827611560859953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108827611560859953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_06_01_archive.html#108827611560859953' title='Vinte'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-108827589605231263</id><published>2004-06-26T14:51:00.000-04:00</published><updated>2004-06-26T14:51:36.053-04:00</updated><title type='text'>Dezenove</title><content type='html'>E gerar-se.Quem plantou as violetas? Todas suas criações morreram. Ou assassinadas e depois devoradas pela mãe. Haviam bonecas. Clarisse pedia bonecos grandes de presente para poder se masturbar.”Acho que veio minha menstruação”. Seu hímen rompeu com a mão de uma boneca. L-I-B-E-R-D-A-D-E – Clarisse soletrava. Letra soltas com péssima consonância. Acima de tudo sem significado real. Ela gostava das letras dessa palavra. Muitas vezes acreditou ser livre presa ao nada. Mas até que descobriu, que ambos, ainda não encontrara. Boneco Maneco. O lençol manchado de sangue podre e sereno. Como uma velha brincadeira, Clarisse nina seus seios, alvos e frágeis. Mais calejados que qualquer outra parte. Com esse mesmo peito, Clarisse topou o vento agonizante, geladas vezes. Nu e perplexo, assim, até hoje, se porta o colo asmático de Clarisse. A prisão desse reflexo ainda guarda muitos monstros, prestes a serem exorcizados (ou reinventados). Do eco do seu útero, muitos filhos serão criados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-108827589605231263?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108827589605231263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108827589605231263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_06_01_archive.html#108827589605231263' title='Dezenove'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-108827567250963530</id><published>2004-06-26T14:44:00.000-04:00</published><updated>2004-06-26T14:47:52.510-04:00</updated><title type='text'>Dezoito</title><content type='html'>Cega em seus sentidos. Hoje não há mais saberes, e como sempre não há certezas, nem mesmo a certeza do morrer. O silêncio do não-ser, o sopro invisível que aviva a derme. Clarisse não cogita amanhã, mal lembra do agora, ela apenas sente as horas se arrastarem. Em seu cubo, em seus traços fortes, em tudo que lhe falta, Clarisse, inspira, reconhece-se, expira, abre a porta chega em casa. Longe, longe, também demorado, a cada passo, mais o teto se enche de sombras. A queda vem para trazer conforto ao coração de Clarice. Com os sentidos cegos ela mama no colo materno, funga o peito com força e chupa seu seio a procura de laços consigo mesma. Ela quer sentir seu ventre, e recebe como resposta o ronco de suas tripas. Encurvada, a-feto. Levanta-se e vai até a caixa do armário. Reencontra os rotineiros comprimidos, procura algo de cabo longo. Ela precisa sentir o ventre. Com a escova dental ela se esforça, até que nota sua secura. Seu útero que nada gera, e felizmente nada gerará. Vazia, Clarice quer voltar pra dentro do seu nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-108827567250963530?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108827567250963530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108827567250963530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_06_01_archive.html#108827567250963530' title='Dezoito'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-108560021141263272</id><published>2004-05-26T15:36:00.000-04:00</published><updated>2004-05-26T15:36:51.413-04:00</updated><title type='text'>Dezessete</title><content type='html'>A alegria. Clarisse aluna brilhante. Tudo se tornou falso e pesado. Com facilidade ela se cansa, desiste do nada e resolve sair de dentro do banheiro. Sente-se aliviada com a decisão. Alívio é superficial como a alegria. Ela sempre se lembra desse ensinamento materno. Se tivesse em mãos um dicionário procuraria o significado de peso, chega de metafísica. Ela não tem força, alegrou-se antes do tempo. Evapora, e em nebulosa tenta deslizar entre as frestas da porta. Não há alucinógeno, não há delírio. A vida recupera contornos retos, e contraste frio. Cansada, Clarisse senta na privada e inspira simetria. E se firmasse seus ideais em objetos objetivos? – pensa ela. Quem seria Clarisse agora? O nada? Certamente não, pois ao menos receberia o título honorário de humana sobre o trono. E o resto? Ela se inventaria, ou algum terceiro a reinventaria? Talvez ainda esse terceiro a parisse, e a adoraria. Clarisse seria alvo de paixões, de moral, de objetivos, de perspectivas, velhice e morte. Meios e fins. Lógica aristotélica. Sim ou não. Além disso, precisaria acreditar no bem, no perdão, na verdade. Talvez nem precisasse pensar na complexidade do simples. A ignorância nos guarda. Longo bocejo – ela se perdeu nos seus pensamentos. Enquanto tenta lembrar do que pensava olha os pêlos que crescem na volta do seio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-108560021141263272?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108560021141263272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108560021141263272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_05_01_archive.html#108560021141263272' title='Dezessete'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-108560013748929604</id><published>2004-05-26T15:34:00.000-04:00</published><updated>2004-05-26T15:35:37.490-04:00</updated><title type='text'>Dezesseis</title><content type='html'>O vapor umedece o colo asmático de Clarisse. Ela inspira cheiro de sábados da infância. A memória re-traz tudo, os sons, a umidade afinando roncos no peito felino. Alice lhe traiu. Já não há mais caminhos. Ao voltar da escola procurava por tudo, estupros, sonhos, olhares, roubos, revoltas, invenções. Sair pela janela ou arrombar a porta? Na sua procura encontrava o nada. O vazio lhe fisgou, com o mesmo olhar de um rapaz apaixonado, rompeu o hímen da vida, gozou em jato sua insignificância. Adaptar-se a umidade é aceitar a condição de mofo. Atemporal as invenções tecnológicas está o medo. Sem memória e escrúpulos, o ser perde sua importância moral. Clarisse se lembra dos caminhos vacilantes, das tantas vezes que hesitou o perigo. Correr sem saber ao certo do que foge. E será que foge?  O apoio de todo ser está sobre os joelhos. Respirar dói.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-108560013748929604?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108560013748929604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108560013748929604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_05_01_archive.html#108560013748929604' title='Dezesseis'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-108404634618365362</id><published>2004-05-08T15:58:00.000-04:00</published><updated>2004-05-08T16:03:36.123-04:00</updated><title type='text'>Quinze</title><content type='html'>O banheiro possuía fumaças, sopros de calor. Desligou o chuveiro e se deixou escorrer por mais alguns instantes. A maneira de tocar o ar com as pálpebras, os pêlos constantemente arrepiados, prontos para todas sensações. O corpo sempre a espreita do que não há mais de acontecer. Como um perfume que memoriza sentimentos, o sorriso feliz de quem deita e descansa a alma cansada. Um emaranhado de frases sem sentido, assim é Clarisse, bela e suja ao alvorecer.&lt;br /&gt;Primeiramente se olhou no espelho, nos seus olhos. Castanhos, tristes, nebulosos. Galáxias se escondiam naquele olhar, e ela queria apenas ser engolida pelo buraco negro. Seu calor que a secava, a espontânea confusão de não saber o que fazer, o que sentir, o que ser. Ela sempre quis o nada, sempre se achou tão certa disso, tão certa do nada. Agora ela já não mais sabia, tudo era pesado, insignificante. Sente-se bem, excitada e feliz. O corpo, sua alma, são o nada. Ela se toca com desejo, e ainda com toda sua confusão interpreta a si mesma. O espelho não sabe mais quem está refletindo.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-108404634618365362?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108404634618365362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108404634618365362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_05_01_archive.html#108404634618365362' title='Quinze'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-108404612922231437</id><published>2004-05-08T15:54:00.000-04:00</published><updated>2004-05-08T16:03:08.170-04:00</updated><title type='text'>Quatorze</title><content type='html'>Ser prostituta é um sonho que toda menina (e mulher) já alimentou em ser. Ver o corpo nu, branco e marcado ser banhado aguçava esse desejo de ser objeto, ser manuseada, tocada, adorada, mesmo que de olhos fechados. Sentir o jorro frio, e notas contentando seu corpo. Não ser nada mais do que um simples nada. Alguém sem valor físico e psicológico. Vazio e vazio. O nada tinha beijos e toques frios.&lt;br /&gt;Não sabia mais da existência do tempo, o espaço ela ainda notava, não porque visse a luz, mas por sentir as arestas lhe comprimindo. Em busca das portas, certas ou não, cabíveis ou não; ela simplesmente buscava uma porta, caso não encontrasse, acredito que não faria tanta diferença assim, o vazio perfumava todos instantes e ela nem sempre notava. Havia aqueles momentos em que gozava da existência (e na existência), e isso a deixava leve, e “entediantemente” superficial, que tudo voltava a pesar. E sem pesar nenhum ela se velava, sorria suave, quase casto, com suas mortes. A menina Clarisse envelhecia, mas o tempo não passava, apenas os móveis trocavam de lugar, e as paredes, suas sombras.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-108404612922231437?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108404612922231437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108404612922231437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_05_01_archive.html#108404612922231437' title='Quatorze'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-108061458102731188</id><published>2004-03-29T22:42:00.000-04:00</published><updated>2004-03-29T22:46:35.780-04:00</updated><title type='text'>Treze</title><content type='html'>Por que a vida insiste em perdurar em momentos de “quase-morte”? Será o nada, o Deus, o silêncio forçado que inquieta não só a Clarisse, mas a todos que abrigam o vazio em seus peitos? Clarisse ouve sua mãe chamando, lhe dizendo que precisa abrir os olhos ao falar com as pessoas. Os olhos de Clarisse estão cada vez mais serrados, expressando nervosismo. Começa a apertar seus seios com força, depois acaricia seus braços. A cabeça apóia todas perguntas sobre os joelhos. Sem respostas, elas não surgem limpas. Com um sabão barato lava seu monte de Vênus e ouve o vento de agosto. Ontem ela caminhava pela rua, buscando paz e calor, hoje ela busca o mesmo em outro lugar. O corpo adormeceu. Curar a alma através dos sentidos. Repetir, em busca do nada. Repetir e reinventar combinam? Sua pele sentia o gosto azedo da reinvenção.  Cada dor que sentia era acompanhada posteriormente por alegria e calma. Ela já sabia de tudo que estava para acontecer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-108061458102731188?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108061458102731188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108061458102731188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#108061458102731188' title='Treze'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-108061446077465046</id><published>2004-03-29T22:39:00.000-04:00</published><updated>2004-03-29T22:44:35.560-04:00</updated><title type='text'>Doze</title><content type='html'>Vermes rastejantes, os quais não sabia denominar, beijavam os pés de Clarisse com sua gosmenta frieza. Ela cheira entre os cotovelos, seu corpo fede. Seu próprio odor é sujo, mas não feio. Ela nunca havia sentido esse perfume com extremo prazer, olha para cima e seus olhos a enganam. As gotas voltam para sua origem, a chuveiro elétrico pisca no cubo com iluminação fraca. Clarisse fecha os olhos, sonha junto a sua paz e lágrimas. No colo da tristeza ela encontra seu estado bruto, naturalmente bela e sem peso. Confundisse com o musgo do canto, Clarisse mendiga por umidade e escuridão. Usa seu sentido favorito para triunfar perante seu amor. Com o tato ela sente cada cm3 de ar que a envolve. Sua pele toca suas fantasias, a água escorre ao contrário. Clarisse está feliz, os suspiros e o sorriso pincelado no seu alvo rosto revelam isso. A lembrança do vento canta em seus pensamentos, Clarisse se transporta para junto dessas lembranças. Vive de cenas recriadas, inventadas, repetidas. Há brotos no vaso com terra seca junto à janela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-108061446077465046?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108061446077465046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108061446077465046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#108061446077465046' title='Doze'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-108039709678079505</id><published>2004-03-27T10:18:00.000-04:00</published><updated>2004-03-27T10:21:48.420-04:00</updated><title type='text'>Onze</title><content type='html'>Tantas vezes se está a beira da morte. É preciso confessar que é instante de extrema beleza, pois é uma bolha transparente envolvida de veneno cristalino. A morte e seus feitiços, a “quase-morte” dá uma sensação de nascer de novo. Sem ressurreição, pois cada “quase-morte” equivale a um fim, e daí a diante um novo começo (ou ao menos uma ilusão deste). Clarisse molha seus calcanhares, seus pulsos, o peito e só então fecha os olhos e recebe o cair da água. Ainda que todo vazio dê sentido a sua sinfonia desafinada, ela continua a apreciar alegrias infantis. Banhos de chuva, sorvete de pistache com muita cobertura de chocolate, perfume de jasmim, sol de janeiro e ventos de agosto. Nas suas lembranças ela tenta encontrar algo que se perdeu, algo que matou toda sua esperança. Voltando ao passado acredita poder renascer, Clarisse ainda sonha.&lt;br /&gt;E se sonha ainda vive. O vazio que tanto adora é superficial, ela almeja o impossível, e isso é um traço que ela traz de sua infância. A maioria de suas lembranças não aconteceram, apenas existem em sua memória. Ela precisa de algo para se apoiar, então se apóia no nada das suas mentiras.&lt;br /&gt;Mas serão tão falsas suas lembranças?&lt;br /&gt;No canto cheirando a limo ela se acolhe como em braços maternos.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-108039709678079505?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108039709678079505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108039709678079505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#108039709678079505' title='Onze'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-108000746848117236</id><published>2004-03-22T22:04:00.000-04:00</published><updated>2004-03-22T22:07:54.140-04:00</updated><title type='text'>Dez</title><content type='html'>Recapitulando. Tudo que Clarisse considera como restos são benfeitorias do nada. A insignificância dá ordem ao caos da sordidez da vida. Sua poesia “restoriana” a fazia sentir prazer em sua engrenagem diária. Comer, se prostituir, pagar contas e dar bom dia ao dono da padaria faziam parte dessa engrenagem, do seu lado máquina da sociedade. Do resto, procurava se refugiar em seu já comentado palácio. Clarisse é artista da vida, musa do cotidiano contemporâneo, filha de maria. Puxou a descarga, sentiu-se descer naquele redemoinho. Deixou-se levar pela água, pelo som da engrenagem que segue além da janela. Desejou o contrário de todo aquele instante, desejou ser lavada, desejou tocar o avesso do nada. Ainda ficaram algumas bostas, esperou a caixa encher. Puxou novamente a descarga, e dessa vez viu a água girar pelo lado inverso do habitual. Não deu muita importância, ligou o chuveiro. Sentia-se calma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-108000746848117236?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108000746848117236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108000746848117236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#108000746848117236' title='Dez'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-108000741837828501</id><published>2004-03-22T22:03:00.000-04:00</published><updated>2004-03-22T22:07:04.060-04:00</updated><title type='text'>Nove</title><content type='html'>A inquietação da sua alma acelera seus pensamentos. O irreal se mistura com sonhos e o passado acontecido de fato. Ela ainda lembra detalhadamente de seu corte, e das vezes que esteve tão próxima da morte. Ela está nua. Tenta chegar próximo da lâmpada que tenta berrar por claridade para ver sua pele. Pintas, manchas, sujeira e o perfume do nada. Clarisse muitas vezes tentou entender o que era o fim. Alguém (a qual lhe foge da memória) lhe dizia que a vida era feita de ciclos, e que um dia tudo voltaria a se repetir. Achava aquilo absurdo, pois até então sua vida insignificante era inválida demais para se repetir. Qual é a repetição do nada? Deixou-se cegar por alguns instantes de tanto fixar a íris na lâmpada elétrica. A dor que levava no peito só era aliviada quando conseguia não pensar. Tentando manter-se calma. Não quer desespero. Um dia alguém lhe identificou depressiva, ela não entendia o que era isso, apenas sentia-se bem da forma como estava. A dor já havia se tornado companheira, e sua grande amiga. Chorar era perder a calma. Sozinha, Clarisse dizia a si mesma que lágrimas somente em momentos de prazer, lágrimas e dor são restos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-108000741837828501?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108000741837828501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108000741837828501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#108000741837828501' title='Nove'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-108000735457944949</id><published>2004-03-22T22:02:00.000-04:00</published><updated>2004-03-22T22:06:00.263-04:00</updated><title type='text'>Oito</title><content type='html'>No cubo onde se encontrava, tinha tudo que mais adorava, e de que considerava essencial para sua existência. Violetas secavam na micro janela por onde uma gota de sol insistia em entrar, o mofo inevitavelmente tomava conta das paredes com raros azulejos. Mas não era disso que Clarisse precisava. Não era o cheiro de musgo e paredes coloridas por teias e excrementos (dela e) de insetos que enalteciam em poesia, mas suas velhas armas para o suicídio. Tantas tentativas de uma vez por todas ser o nada. E seu ridículo lado humano a fazia perder as forças. Mas desde muito ela vem se preparando, se fortalecendo em sua própria insignificância para realizar seu maior desejo. Os olhos estão tranqüilos, mas ela se sente nervosa. Será o avesso que se manifesta atrás das manchas sujas do espelho? Não... ela precisa tocar. Ela quer sentir o medo, lágrimas molham o seu peito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-108000735457944949?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108000735457944949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108000735457944949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#108000735457944949' title='Oito'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-108000730164248178</id><published>2004-03-22T22:00:00.000-04:00</published><updated>2004-03-22T22:05:07.340-04:00</updated><title type='text'>Sete</title><content type='html'>Seu palácio podia ser visto através do espelho. Quando criança ela os temia, chegava a ter pesadelos com imagens suas, refletidas de forma horrorosa por diversos e horripilantes espelhos. Todos traziam sujeira em sua borda, e no centro uma luz nítida dava destaque aos olhos. O medo a encantou com o passar dos dias, e naquele reflexo, onde via terror, encontrou abrigo e adoração. Nada de narcisismo, mas encontrou um desconhecido que a encantava: seu olhar. Ela nunca tinha certeza de como seria seu olhar cada vez que se deparasse com seu reflexo. E essa espreita a inquietava, levando sempre consigo um espelho. Nada de vaidade, como foi dito, mas apenas a excitação pelo desconhecido.&lt;br /&gt;Demorou um pouco até puxar a descarga, os cheiros ainda se misturavam. Foi novamente para frente do espelho. Queria não pensar em nada, esquecera o trabalho, o leite no fogão, as contas atrasadas, só queria a luz raquítica e fedor de merda como sordidez naquele momento, para ela aquilo tinha grande valia dentro dela. Isso e seu vazio. Seus olhos traziam um silêncio ao mesmo tempo angustiante e anestesiante. Isso hoje.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-108000730164248178?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108000730164248178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/108000730164248178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#108000730164248178' title='Sete'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-107990886424028165</id><published>2004-03-21T18:40:00.000-04:00</published><updated>2004-03-21T18:44:27.826-04:00</updated><title type='text'>Seis</title><content type='html'>Seu professor da escola um dia lhe falou sobre niilismo. Gostou do que ouviu, e sentiu que se desprender de verdades lhe deixaria leve. E melhor que isso, a ignorância e a indiferença lhe trariam o nada, deixando-a mais perto do seu amor. Ela limpava primeiro o mijo misturado com a porra, depois de úmido o papel passava em seu ânus para tirar a merda mais facilmente. Não se importava com doenças, mas não gostava quando essas aconteciam. Ainda ficou sentada, vendo a luz entrar e tentar tocar os cantos mudos. Olhou suas mãos pardas, sujas. Acariciou novamente sua cicatriz, e suspirou num belo sorriso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-107990886424028165?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/107990886424028165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/107990886424028165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107990886424028165' title='Seis'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-107990878441633081</id><published>2004-03-21T18:39:00.000-04:00</published><updated>2004-03-21T18:43:08.013-04:00</updated><title type='text'>Cinco</title><content type='html'>A luz cinza que entrava como fugitiva dentro do banheiro, se enaltecia com o cheiro de merda, gozo e mijo. Enjoada e excitada era como se sentia Clarisse cada dia que executava seu ritual. Não via sentido algum para o que ela fazia, apenas sentia prazer naquele vazio posterior. Mas vamos nos centrar no ato da masturbação. Tentava não pensar em nada. Mas o tudo sempre a atormentava como uma sombra. Então resolvia receber o tudo. Captava com a maior intensidade todos sons, cheiros, e fechava os olhos para se entregar ao infinito, até chegar ao instante em que tudo perde o sentido. Ela via no gozo a forma mais perfeita do nada, por isso preferia se masturbar, pois junto de outro corpo não gozaria do vazio exterior. Para ela o nada precisava ser completo. O vazio deve ocupar dentro e fora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-107990878441633081?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/107990878441633081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/107990878441633081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107990878441633081' title='Cinco'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-107990871474904261</id><published>2004-03-21T18:37:00.000-04:00</published><updated>2004-03-21T18:41:58.360-04:00</updated><title type='text'>Quatro</title><content type='html'>Kundera faz uma longa reflexão a respeito do kitsch em um dos seus livros. Agora por exemplo, porque eu não disse simplesmente que ela iria defecar, ao invés de sentar minha personagem em um vaso sanitário?&lt;br /&gt;Kundera citou dos nossos pudores, que foram criados por nós desde que Adão foi expulso do paraíso. E definia o kitsch como “estação intermediária entre o ser e o esquecimento” (epitáfios cotidianos). &lt;br /&gt;Assim como a merda é negada por nós, por ser algo fedido e nojento, assim negamos o que nos parece ofensivo e vulgar. Isso é o Kitsch.&lt;br /&gt;Mas tudo isso é estética, moral. Clarisse se masturbava cada vez que defecava. O seu excremento, o seu fedor, era algo que para ela, representava a transpiração de tudo que a insignificância pode nos dar. Viver para ela, não possuía diferenças, pólos. Viver era nada, e isso, como já disse, a excitava.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-107990871474904261?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/107990871474904261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/107990871474904261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107990871474904261' title='Quatro'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-107990855803421520</id><published>2004-03-21T18:35:00.000-04:00</published><updated>2004-03-21T18:39:21.686-04:00</updated><title type='text'>Três</title><content type='html'>Do lado esquerdo do rosto, está gravada a lembrança de um domingo com ar acre. O ar com que toca a cicatriz é doce e nostálgico. Perto do seu olho, a sensação de escuridão que a tomou quando ocorreu o corte. Ela imaginava viver no infinito para sempre. Perdida no que mais ama. No nada, saberia que seria livre, leve. Não teria mais o peso de olhar nos olhos das pessoas que mentem para ela.&lt;br /&gt;Clarisse suspira frente ao espelho, lembra-se de um livro que lera quando pequena, e que a marcou bastante. A história de uma menina que conseguia passar para o outro lado do espelho, e ver (e viver) todas as coisas ao contrário. Ah, como ela desejava saber como é o nada ao contrário.&lt;br /&gt;Agora olha novamente a cicatriz. Vê como sua pele se fortaleceu depois de curada a ferida. Vê como seus olhos escureceram desde o amanhecer. Lava mais uma vez o rosto, e senta-se no sanitário.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-107990855803421520?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/107990855803421520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/107990855803421520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107990855803421520' title='Três'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-107990835922449965</id><published>2004-03-21T18:32:00.000-04:00</published><updated>2004-03-21T18:38:11.373-04:00</updated><title type='text'>Dois</title><content type='html'>Quando as idéias sobre o nada começam a fazer sentido, nos sentimos com um enorme vazio no peito. Clarisse tinha quatorze anos quando começou a sentir os sentidos do vazio. Não tinha a extrema noção do que sentia, mas acreditava ser guiada pela intuição. Mas sentir o nada é algo que a excitava de forma, digamos, mística. O nada a elevava, e esse nada chamava de Deus.&lt;br /&gt;È preciso compreender que desde que nascemos, nós ocidentais, somos criados com a ideologia do perdão. Num país, onde as religiões nunca foram levadas a sério, acabamos sempre por perdoar e seguidamente sentir compaixão daquilo que nos ofende, ou como muitos dizem, “nos fazem mal”.&lt;br /&gt;Clarisse ainda lembra da sua mãe, de como era bondosa. A passividade se tornava agressiva a ela, pois ser bondosa, na terra de Clarisse, significava ser submissa.&lt;br /&gt;O engraçado que sempre que queremos contar a história de alguém, precisamos falar sobre a mãe. Juro que queria evitar que isso ocorresse, mas a mãe de Clarisse é fundamental para chegarmos a prisão que ela construiu dentro do espelho. Pois foi no vazio do olhar de sua mãe, que veio a sua maior herança: a tristeza e o nada do mundo.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-107990835922449965?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/107990835922449965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/107990835922449965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107990835922449965' title='Dois'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653997.post-107990807470403604</id><published>2004-03-21T18:27:00.000-04:00</published><updated>2004-03-21T18:32:32.843-04:00</updated><title type='text'>Um</title><content type='html'>Parecem dois amigos. A cumplicidade revelada no olhar, mas somente quando escova os dentes. De manhã, ainda com os primeiros raios tudo possui leveza. Com o passar das horas o olhar amigo, suave, vai tomando novas cores, sombras vão pousando sobre sua face.&lt;br /&gt;É segunda-feira, o reflexo capturou sua imagem. Fica observando a outra, que não é nada além do que o contrário. Mas será? Tudo será tão avesso quanto suponho?&lt;br /&gt;A dor corta, ainda é segunda-feira. Hoje decidiu não ir trabalhar. Resolveu viver a outra que há atrás do espelho.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653997-107990807470403604?l=reinvencaodealice.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/107990807470403604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653997/posts/default/107990807470403604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reinvencaodealice.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107990807470403604' title='Um'/><author><name>Eliane Rubim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01711720564098513717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_hQ9PlGUL93k/TTg4Yd9n4SI/AAAAAAAAEQI/yTGzdWOw8CM/S220/165535_1798236361773_1415675193_2032867_5162061_n.jpg'/></author></entry></feed>
